Quase um ano depois de divulgarem um teaser do clipe de This Is War, o 30 Seconds To Mars finalmente consegue fazer o vídeo ver a luz do dia. Quando todo mundo já achava que o clipe nunca seria lançado, eis que uma emissora russa o exibe. Como estamos em uma época em que nada mais é local, o clipe começou a circular o mundo por meio de filmagens amadoras e mesmo com a gravadora tirando todos os vídeos do ar, novos surgiam. Com isso eles devem ter pensado: já que não podemos com eles, vamos nos juntar a eles e lançar esse vídeo logo. Então, hoje, apareceu a versão em boa qualidade no canal VEVO da banda.
This Is War é mais uma grande produção do 30 Seconds To Mars, praticamente um curta-metragem mostrando os integrantes da banda em meio a guerra. O vídeo é um trabalho maravilhoso de edição, com tomadas perfeitas - principalmente as do Jared Leto contra o horizonte laranja do pôr do sol -, uso da câmera na mão para dar um tom mais documental e teor político. This Is War começa com uma frase forte: "If we don’t end war, war will end us.", de H.G. Wells, e continua com a crítica ao mostrar durante todo o tempo imagens de guerra, destruição, poderosos responsáveis por esses confrontos e morte.
E se eu tivesse escolhido o outro caminho? E se eu tivesse feito aquilo ao invés disso? Essas questões sempre surgem na cabeça de qualquer um, e é com base nas escolhas e no tempo que o diretor Jaco Van Dormael (diretor desconhecido do grande público, mas com uma longa carreira) constrói seu filme Mr. Nobody, uma produção que mistura ficção científica e drama, estrelada por Jared Leto, Sarah Polley e Diane Kruger, que é muito bem descrita pela frase do cartaz do filme: Nada é real, tudo é possível.
Mr. Nobody acompanha a história de Nemo Nobody (vivido na fase adulta por Jared Leto), o único mortal existente no mundo de 2092. Todos se tornaram imortais e os sentimentos já não têm os mesmos significados. Enquanto dá uma entrevista para um repórter, toda a sua vida – ou devemos dizer vidas? – vai se passando. Explico o “vidas”. A história acompanha todas as possibilidades de vida do personagem, de acordo com suas escolhas e caminhos tomados. O diretor cria um mosaico de histórias que compreendem cada passo do personagem, indo e voltando a cada nova decisão que apresenta mais de uma possibilidade. Tudo isso envolto a discussões sobre inevitabilidade, dimensões paralelas e destino, pesando o fato de não se poder voltar atrás depois de uma decisão, o que, segundo o personagem, torna qualquer escolha tão difícil, fazendo inclusive com que ele não escolha em certos momentos, podendo assim, ter as possibilidades em aberto.
Além da complexa história bem desenvolvida, o filme ganha pontos pela excelente direção de arte e fotografia. Certas tomadas parecem mais belas fotografias. O que dizer da cena em que o personagem é carregado por capangas que o assassinaram por uma floresta de longas árvores sem folhas. Tudo isso com a câmera virada, com as árvores ocupando toda a tela, da esquerda até a direita, e deixando o personagem, que está morto, de pé, enquanto os capangas andam na horizontal. Extremamente bem feita, a sequência é de encher os olhos.
Saindo um pouco da complexa discussão de tempos e escolhas, o filme ainda tem uma romântica e bela história de amor, que emociona. É incrível ver o personagem viver por esse amor, esperar e inclusive entregar sua vida ao destino para que ele aconteça. As interpretações também se destacam, em especial os atores que interpretam os personagens Nemo e Anna em sua adolescência. Toby Regbo e Juno Temple são os responsáveis por tornarem tão crível e forte a relação dos personagens, cuja identificação é instantânea. O filme ainda ganha com efeitos especiais modestos, mas bem feitos, que servem a favor da história e não são o chamariz principal.
E quanto a seu lançamento, não há qualquer movimentação, sua estreia não tem data marcada e ele está fadado à obscuridade. É uma pena ver um filme tão bom ficar no limbo das distribuidoras. Mas fica o conselho, procure, baixe, assista. O filme merece ser visto e difundido.