Quando Quentin Tarantino e Robert Rodriguez anunciaram o lançamento do projeto chamado Grindhouse, todo mundo achou a ideia incrível, mas quando chegou a hora da verdade o filme fracassou monumentalmente - financeiramente falando, claro, afinal as produções são ótimos. No entanto, nem tudo foi perdido. Os trailers falsos criados para a exibição entre um filme e outro estão roubando a cena. Primeiro foi Machete - que além de ganhar seu próprio filme já está com uma continuação sendo produzida -, depois veio Hobo With a Shotgun, e agora é a vez de Thanksgiving ganhar sua versão estendida.
O trailer de Thanksgiving foi idealizado e dirigido por Eli Roth (O Albergue) e o próprio diretor afirmou que está trabalhando na produção do filme. O roteiro será escrito por Roth, seu parceiro Jeff Rundell, e pela dupla Jon Watts e Christopher D. Ford, ambos responsáveis pelo terror Clown, que só sairá em 2013 e que tem "um dos melhores roteiros" que Roth já leu, segundo o próprio diretor em entrevista do Behind The Thrills.
Não há previsão para o início da produção, mas Roth espera ter um roteiro logo em mãos.
Assista abaixo o trailer falso que foi exibido nos cinemas entre Planeta Terror e À Prova de Morte:
Quando Grindhouse foi lançado nos EUA, com suas sessões duplas, entre os filmes Planeta Terror e À Prova de Morte, foram exibidos trailers falsos de "grandes" produções do gênero. Os trailers eram parte da obra, por isso, tinham a mesma aura de filme trash dos filmes principais. Cada trailer foi dirigido por um diretor diferente e as ideias eram realmente muito boas para ficarem só nisso. Eis que algum tempo depois eles anunciaram a produção de dois filmes baseados em dois desses trailers.
O primeiro a ser anunciado foi Machete. O trailer falso, dirigido pelo próprio Robert Rodriguez, trazia um de seus atores favoritos, o sempre competente, Danny Trejo, como um assassino que foi traído por seus contratantes e que resolve se vingar, no melhor estilo Charles Bronson. Machete, o nome do persongem, também é um tipo de faca, instrumento preferido do personagem. O filme, que deve estrear no segundo semestre, ainda conta com um grande elenco. Entre os principais nomes estão Robert De Niro, Michelle Rodriguez, Jessica Alba e Lindsay Lohan, além do péssimo e odiado por mimSteven Seagal.
Confira o trailer do filme:
O outro projeto que ganhou vida nesse ano também foi Hobo With a Shotgun. O trailer falso desse filme venceu um concurso feito por Robert Rodriguez que escolheria o melhor trailer falso para ser exibido na sessão dupla de Grindhouse. Hobo With a Shotgun, depois de fazer muito sucesso, entrou na fila de se tornar um filme completo. Não há uma sinopse oficial do filme divulgada ainda, mas o que se sabe pelo trailer é que um mendigo (no filme interpretado por Rutger Hauer, substituindo David Brunt que ficou com o papel no trailer) resolve sair fazendo justiça com as próprias mãos, e nessas mãos, uma shotgun. O filme é dirigido um dos diretores do trailer, Jason Eisener, e por enquanto ainda não tem uma data definida para a estreia.
Veja o trailer abaixo:
Pelo visto, vem coisa no mínimo interessante por ai, potenciais filmes cults.
Li hoje no Omelete que À Prova de Morte, o filme que Quentin Tarantino dirigiu em 2007 como parte do projeto Grindhouse, que contava com o filme Planeta Terror, de Robert Rodriguez, será finalmente lançado aqui no Brasil. Segundo foi publicado, o filme, que tinha os direitos pertencentes à Europa Filmes, foi adiado e adiado tantas vezes por causa do retorno baixo de Planeta Terror, que estreou aqui no Brasil em 2007 mesmo.
Três anos depois, os direitos do filme de Tarantino expiraram e a PlayArte tratou logo de comprá-los e agendar sua estreia para 23 de julho desse ano. Agora a questão é: será que dessa vez vai?! Eu realmente torço para que aconteça. O filme, como toda a filmografia do diretor é incrível e merece ser visto pelo grande público. Algumas pessoas já devem ter visto já que o filme rodou alguns festivais pelo país, mas seu espaço no circuito comercial merece ser conquistado.
Eu já vi o filme duas vezes e vou postar aqui embaixo um pequeno texto que escrevi para o Londripost sobre o que achei. Vamos a ele:
Na última vez que vi, o filme foi exibido na Mostra de Cinema de Londrina. Para quem nunca ouviu falar, esse é um filme que Quentin Tarantino dirigiu em 2007 e que fazia parte do projeto Grindhouse, idealizado por ele e por Robert Rodriguez, parceiro de loucuras. O projeto consistia em uma homenagem ao cinema trash de terror dos anos 70, em que eram exibidos dois ou mais filmes em uma mesma sessão, as chamadas Grindhouses. À Prova de Morte foi concebido para ser exibido juntamente com o filme Planeta Terror, dirigido por Robert Rodriguez em uma sessão dupla. O projeto contava inclusive com trailers falsos que seriam exibidos entre um filme e outro, tornando a experiência o mais próxima possível do que acontecia nos anos 70. Tudo estava muito bem planejado até que o filme estreou nos cinemas norte-americanos e se tornou um grande fracasso COMERCIAL (não artístico) na carreira dos diretores. Pronto, os distribuidores já mudaram de ideia, e ficou decidido, os dois filmes seriam lançados separadamente no resto do mundo.
Planeta Terror não demorou muito para chegar aos cinemas brasileiros, estreando em novembro do mesmo ano por aqui. Já com À Prova de Morte a coisa foi bem diferente. O filme está inédito nos cinemas brasileiros até hoje, com exceção de exibições em mostras como aconteceu aqui em Londrina. É o histórico problema das distribuidoras brasileiras com Tarantino. Seus filmes sempre demoram mais que o comum para serem lançados por aqui. Depois dessa pequena contextualização, que mais está para desabafo de fã, vamos ao filme.
À Prova de Morte conta a história de um dublê, Stuntman Mike (Kurt Russell, realmente bom no papel), que usa seu carro para matar suas vítimas, grupos de mulheres que estão em carros também. Como sempre, ele mistura várias referências conhecidas e ainda nos entrega um produto inédito e realmente bom, algo que atualmente só ele consegue fazer. O filme é sim uma homenagem ao exploitation dos anos 70, com muito apelo sexual, violência e drogas, mas quem conhece as obras do diretor já sabe que está diante de um típico exemplar tarantinesco, desde os créditos iniciais, com as típicas fontes utilizadas, até a trilha sonora impecável, que pontua todas as cenas do filme.
Os diálogos são outro ponto forte do diretor. Não espere ver um filme do diretor em que a ação é priorizada. Antes de sermos acachapados por sequências incríveis de batidas de carro temos longas cenas em que ele destila suas referências e suas filosofias. Até a ideia de que um carro potente é uma maneira de compensar o tamanho do órgão sexual masculino é utilizada. O filme conta ainda com grandes interpretações do elenco feminino, que é em sua grande parte desconhecido do grande público. Seu nome mais conhecido é o de Rosario Dawson (M.I.B. 2, Sin City e Sete Vidas).
Outro ponto forte do filme é a sua jogada de câmera. Tarantino consegue desde os planos mais abertos até os mais fechados fazer grandes tomadas de câmera. Além disso, a fotografia do filme é incrível, feita pelo próprio diretor. As cenas de perseguição são filmadas de maneira realista e forte, deixando o espectador preso à cadeira. A primeira batida do filme, entre o carro do dublê e o das mulheres perseguidas por ele é visualmente incrível. Temos várias tomadas do choque, que são mostradas em câmera lenta fazendo com que o espectador tenha uma visão completa do acidente.
Voltando à ideia principal do filme, a de homenagear, temos um tratamento proposital para a imagem que a deixa com cara de velha, com riscos surgindo na tela e em vários momentos do filme as cenas são cortadas do nada, como se a montagem tivesse sido mal feita. Uma brincadeira feita na primeira versão do filme, que foi exibida apenas nos EUA, é que a cena da dança sensual feita por uma das personagens no começo do filme era cortada do nada e uma mensagem aparecia na tela: Rolo de filme faltando. Essa cena foi incluída novamente na projeção para os outros países. Tarantino usa À Prova de Morte também para citar o tempo todo o seu filme anterior, Kill Bill. Os xerifes que investigam o atentado à noiva no filme de 2003 estão presentes em uma cena, o carro dirigido pelas personagens da segunda parte do filme é da mesma cor da roupa usada por Uma Thurman, o toque de celular de uma das personagens é a música dos créditos iniciais de Kill Bill Vol. 1, a roupa de cheerleader usada por outra personagem tem a palavra Vipers, sigla que denominava o grupo de assassinos do filme, entre outras tantas referências.
É um filme que merece ser visto e revisto várias vezes, porque só assim você consegue pegar todas as referências do diretor, algo comum a todos os seus filmes. Resta-nos agora torcer pelo lançamento do filme. Caso não aconteça, sempre temos outros meios de conseguir chegar a ele (download, rsrs).
Vejam o trailer (esse trailer é o da versão norte americana, com os dois filmes juntos):